No
interior de Santiago, Concelho de Santa Catarina, fica localizada a zona de
Entre Picos de Rede. Clima agradável e fresco, com uma paisagem especial, com
uma rua, raras vezes se ouve o barulho de carros a circular.
A
maioria das casas são antigas, algumas cobertas de telha, mas o que chama mais
atenção são algumas moradias bem-feitas, com cores chamativas.
Nesta
localidade, dá para ver claramente que há uma diferença social muito grande,
mas a harmonia entre os moradores tem o mesmo tamanho, porque ajudam uns aos
outros, porque são parentes próximos, porque ainda não se corromperam no colo
do vizinho.
Comércio não compensa
A
solidão é quase extrema. Não há praticamente atividade comercial, que é muitas
vezes exercida para dar resposta a falta de emprego. Segundo os moradores, esta
atividade não existe porque eles não têm condições para investir nesse ramo.
Quem tem possibilidades não arisca, porque Entre Picos de Rede tem uma
população muito pobre, e muito reduzida. Com isso, a população recorre aos
mercados na Cidade de Assomada para fazer compras.
O
maior problema de uma localidade maioritariamente jovem é comum: a falta de
emprego. Poucas famílias possuem um agregado familiar com um emprego fixo.
Forçosamente, o meio de subsistência dessa população é a agricultura de
sequeiro e a criação de gado. É o que garante a segurança financeira e comida
na mesa das famílias.
Sem trabalho
Os
jovens desta localidade não têm nenhum tipo de lazer. Nem polivalente, nem
praça, nada. Edneia Pereira, adolescente de 17 anos, conta que não há nada para
distrair ou onde ir, passa a vida a ver televisão, assim que anoitecer. “Faço
as minha tarefas domésticas, depois de terminar, fico sentada na rua sem nada
para fazer”, queixa-se Lenira Furtado.
Para
frequentarem a escola secundária têm que se deslocar até a Cidade de Assomada,
o que já obrigou abandono por falta de meios para custear despesas como
propinas e transportes. É claro que há alguns que chegaram ao 12º ano, mas não
têm como ingressar o ensino superior na Praia ou mesmo em Assomada. Por isso
choram por um emprego.
Alicia
Pereira. Este jovem de 20 anos que terminou o ensino secundário no ano 2015,
mas não teve qualquer apoio nem por parte dos familiares nem por parte do
governo, para continuar os seus estudos. Para ela, a vida em Entre Picos de
Rede é um tédio. «É só assistir T.V e visitar a minha amiga», desabafa Alicia.
Todas
caracterizam a terra que as viu nascer da mesma maneira. “Entre Picos de Rede é
uma terra esquecida tanto pelo Presente, como pelo Governo”, conclui Alicia.


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