Romântico assumido, Romeu di Lurdes é a
nova promessa da música tradicional cabo-verdiana, um jovem dos sete ofícios
que, entre os estudos, a música e o ativismo social, encontra tempo para sonhar
como um futuro Ministro.
Romeu
de Lurdes, nome artístico de Carlos Manuel Tavares Lopes, 28 anos, cantor,
compositor, instrumentista, poeta, ativista e animador social, tornou-se há cinco anos conhecido do público cabo-verdiano ao participar no concurso
musical “Talento Strela”.
Assumidamente
romântico e com nome artístico a condizer, Romeu di Lurdes entende que é o
romantismo “que retrata a sensibilidade e a alma das coisas”. “Costumo dizer
que nasci no dia 14 de fevereiro (Dia dos namorados)”, brinca o cantor, que
nasceu a 03 de setembro de 1989, no concelho de Santa Cruz, interior da ilha
cabo-verdiana de Santiago, e vive atualmente na cidade da Praia.
“A minha
música é para arrepiar, é para tocar e fazer as pessoas sentirem o calor da
tradição, do amor, da amizade. Não
tenho vergonha de usar palavras que usamos no dia-a-dia, porque, afinal, o que
identifica é o que vivemos. Canto o quotidiano com toda a minha a alma”,
reforçou.
Vindo
de uma família “com grande amor e paixão pela música”, Romeu di Lurdes começou
a interessar- se pela música ainda criança, influenciado pela mãe Lurdes, que
em casa cantava ritmos tradicionais cabo-verdianos. Foi de resto com o dinheiro
da venda de um telemóvel oferecido pela mãe que, aos 18 anos, comprou a
primeira guitarra, que ainda hoje o acompanha por toda a parte.
Em
2010, foi para Portugal, onde viveu um ano e quatro meses com a mãe. A saudade
e a nostalgia fizeram afirmar a cabo-cabo-cabo-cabo-verdianidade, tendo encaminhado nessa
altura pelos gêneros mais tradicionais, como batuco, finançon, tabanca, mornas
e coladeiras. “Nessa altura acreditei que escrevendo sobre o quotidiano do meu
povo, conseguia ver a minha cidade e o meu povo de perto”, recordou, indicando
que tem como referências no país, entre outros, os músicos Princezito e Orlando
Pantera.
Terminou a sua licenciatura em Gestão de Patrimônio Cultural, e esta a fazer o seu mestrado em Portugal, editar em livros os versos que tem escrito e, um dia,
chegar a ministro da Cultura cabo-Verdiana, porque acredita que “para fazer
algo importante é preciso estar numa posição decisiva”.
O
músico é ainda responsável por um projeto social no bairro de Ponta d`Água, um
dos mais problemáticos da Cidade da Praia, referenciado por violência e
delinquência juvenil. Com o lema “Desenvolver a comunidade através da cultura”,
o projeto ensina crianças e jovens a tocar vários instrumentos musicais, com o
objetivo de construir famílias e sociedades mais saudáveis.
Romeu
considera ser “desgastante” conciliar os estudos, com a música o ativismo
social, não faltando momentos em que pensa em desistir, mas entende que “com
amor, fé e dedicação tudo é mais suave e mais eficiente”. “Conciliando essas
coisas, sempre há dificuldades, há alturas que são mais exigentes, mas quando
damos mais de nós recebemos mais para nós”, concluiu.

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