quarta-feira, 10 de maio de 2017

Romeu di Lurdes, um jovem de sete ofícios


Romântico assumido, Romeu di Lurdes é a nova promessa da música tradicional cabo-verdiana, um jovem dos sete ofícios que, entre os estudos, a música e o ativismo social, encontra tempo para sonhar como um futuro Ministro.

Romeu de Lurdes, nome artístico de Carlos Manuel Tavares Lopes, 28 anos, cantor, compositor, instrumentista, poeta, ativista e animador social, tornou-se há cinco anos conhecido do público cabo-verdiano ao participar no concurso musical “Talento Strela”.

Assumidamente romântico e com nome artístico a condizer, Romeu di Lurdes entende que é o romantismo “que retrata a sensibilidade e a alma das coisas”. “Costumo dizer que nasci no dia 14 de fevereiro (Dia dos namorados)”, brinca o cantor, que nasceu a 03 de setembro de 1989, no concelho de Santa Cruz, interior da ilha cabo-verdiana de Santiago, e vive atualmente na cidade da Praia. 

“A minha música é para arrepiar, é para tocar e fazer as pessoas sentirem o calor da tradição, do amor, da amizade. Não tenho vergonha de usar palavras que usamos no dia-a-dia, porque, afinal, o que identifica é o que vivemos. Canto o quotidiano com toda a minha a alma”, reforçou.

Vindo de uma família “com grande amor e paixão pela música”, Romeu di Lurdes começou a interessar- se pela música ainda criança, influenciado pela mãe Lurdes, que em casa cantava ritmos tradicionais cabo-verdianos. Foi de resto com o dinheiro da venda de um telemóvel oferecido pela mãe que, aos 18 anos, comprou a primeira guitarra, que ainda hoje o acompanha por toda a parte.

Em 2010, foi para Portugal, onde viveu um ano e quatro meses com a mãe. A saudade e a nostalgia fizeram afirmar a cabo-cabo-cabo-cabo-verdianidade, tendo encaminhado nessa altura pelos gêneros mais tradicionais, como batuco, finançon, tabanca, mornas e coladeiras. “Nessa altura acreditei que escrevendo sobre o quotidiano do meu povo, conseguia ver a minha cidade e o meu povo de perto”, recordou, indicando que tem como referências no país, entre outros, os músicos Princezito e Orlando Pantera.

 Terminou a sua licenciatura  em Gestão de Patrimônio Cultural, e esta a fazer o seu  mestrado em Portugal, editar em livros os  versos que tem escrito e, um dia, chegar a ministro da Cultura cabo-Verdiana, porque acredita que “para fazer algo importante é preciso estar numa posição decisiva”.

O músico é ainda responsável por um projeto social no bairro de Ponta d`Água, um dos mais problemáticos da Cidade da Praia, referenciado por violência e delinquência juvenil. Com o lema “Desenvolver a comunidade através da cultura”, o projeto ensina crianças e jovens a tocar vários instrumentos musicais, com o objetivo de construir famílias e sociedades mais saudáveis.

Romeu considera ser “desgastante” conciliar os estudos, com a música o ativismo social, não faltando momentos em que pensa em desistir, mas entende que “com amor, fé e dedicação tudo é mais suave e mais eficiente”. “Conciliando essas coisas, sempre há dificuldades, há alturas que são mais exigentes, mas quando damos mais de nós recebemos mais para nós”, concluiu.



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